SBPC 2017

Desafios das publicações em humanidades são debatidos em conferência com editores

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Quantas são as publicações em humanidades, quais são elas e onde estão foram algumas questões formuladas durante a conferência “Desafios e Perspectivas para as Publicações nas Humanidades,” realizada dia 21 de julho durante a 69ª Reunião Anual da SPBC. Esta mesa, coordenada pela professora Sandra Lúcia Selles (UFF), atual diretora da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (Abrapec), reuniu editores de periódicos científicos da área.

O professor Sérgio Cirino (UFMG), coordenador do portal de periódicos da universidade, afirmou que a denominação ‘humanidades’ é extensa, cobrindo “as áreas de ciências humanas, ciências sociais e sociais aplicadas”. Além dessa abrangência, as publicações debatem-se com dificuldades que ele classificou como ‘domésticas’ e ‘gerais’. Uma questão geral de grande relevância é o desconhecimento da quantidade e  da localização das revistas, o que denota necessidade urgente de mapeamento. “A gestão do fluxo de informação e a real participação dos membros do conselho editorial são exemplos de questões domésticas ainda não equacionadas”, afirmou.

Cirino demonstrou que, segundo pesquisa realizada em 2013 pela Anped, 80% dos periódicos da área de Educação, por exemplo, são publicados nas regiões sul e sudeste do Brasil, “evidenciando a desigualdade sócio-econômica”. O docente afirmou que o desconhecimento a respeito do universo de publicações de humanidades dificulta a formulação de políticas de fomento e apoio editorial.

Ao concordar com o colega sobre a falta de apoio institucional à atividade de editoração, professora Rosária Justi (UFMG) expôs a situação específica da área de educação em Ciências, na qual é editora de publicação nacional e internacional. “Trata-se de uma área que se estruturou recentemente, a pouco mais de 20 anos, de modo que os pesquisadores ainda estão em fase de formação ou tem pouca experiência com publicações”, afirmou. Ela ressaltou, também, a necessidade da formação de pareceristas, pois a contribuição deles tem função formativa e de incremento das áreas de pesquisa.

Justi demonstrou preocupação com o plágio e o auto-plágio, segundo ela, “cada vez mais frequentes”. A exigência por produtividade, o acesso à tecnologia e até o desconhecimento de implicações éticas são, para ela, as razões pelas quais esses procedimentos vêm aumentando. “Esse fato só confirma a necessidade de revisores bem formados”, concluiu.

Isabel Martins, professora da UFRJ e editora da revista eletrônica Ciência em Tela, fez um relato de experiência sobre a publicação, que é dirigida aos professores da educação básica. “Reconhecer que o conhecimento em educação também é produzido na escola, e não somente nas universidades, é um deslocamento do olhar que tentamos exercitar”. A docente finalizou sua fala afirmando que “a pesquisa em Educação é relacional: os movimentos de investigação e de intervenção são complementares”.

Claudia Fonseca

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Diversidade e desigualdade foram tema de debate em mesa-redonda na 69ª Reunião Anual da SBPC

 

No último dia 19, as professoras doutoras Elisa Maria da Conceição Reis (UFRJ), Tânia Mara Campos de Almeida (UnB) e Miriam Pillar Grossi (UFSC) reuníram-se em mesa-redonda para discutir diferentes aspectos da desigualdade em nossa sociedade. A mesa, intitulada “Diversidade, desigualdade e diferenças: para onde vamos?”, foi parte da programação da 69ª Reunião Anual da SBPC e coordenada pela professora Elisa Reis.

A primeira exposição – “Desigualdade de gênero e raça no Brasil: reflexões, avanços e desafios” –  foi da cientista social e professora Tânia de Almeida, que falava do reconhecimento ainda recente das desigualdades de gênero e raça no Brasil pela comunidade acadêmico-científica, “tanto por meio da identificação de dados a esse respeito como por meio de elaborações teóricas que possibilitem a formulação de matrizes interpretativas da nossa realidade”. A professora também destacou a importância de interseccionar esses dois fatores – gênero e raça – ao analisar as desigualdades no país.

Ao traçar um panorama dos estudos de desigualdades no Brasil, a professora Tânia de Almeida diz que até o fim do século passado não haviam estudos relevantes sobre o assunto. Segundo ela, foi “os anos 1980 e 1990, quando se retomava o processo político democrático no país, [que] foi dedicada especial atenção ao tema das desigualdades sociais e ao crescimento econômico. Uma relevante bibliografia sobre resultados e impactos do dito desenvolvimento em relação a classe, gênero e raça começou a imergir na época”, e, como exemplo de tal bibliografia, a professora citou trabalhos de Lélia Gonzales, Sueli Carneiro e Heleieth Saffioti. No entanto, ela comentou que as obras da época não tiveram suficiente alcance no que diz respeito a mudanças estruturais na sociedade brasileira sobre raça e gênero, uma vez que se interpretava que negros e mulheres sofriam preconceito apenas por serem pobres e não por serem negros e mulheres.

A professora Tânia de Almeida ainda lembrou a dissertação de mestrado de Virgínia Bicudo, de 1945, da primeira turma da Escola Livre de Sociologia e política, ligada à USP, em que Virgínia defendia que a ascensão social não apagaria as distâncias entre brancos e negros e que estariam sempre as mulheres negras nas piores posições na pirâmide social.

Em seguida, a antropóloga e professora Miriam Grossi introduziu sua fala sobre gênero, sexualidade e diversidade, deixando claro que falaria sobre as políticas voltadas para estes temas instituídas nos treze anos de governo que tivemos com os presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff, pois tais políticas sociais inexistem no atual governo Temer. A professora ainda apresentou as três teorias com as quais trabalha: a teoria feminista, a teoria queer e a teoria crip. Mais uma vez foi levantada a questão da interseccionalidade, destacada pela professora Miriam Grossi na teoria feminista, que pensa as posições de sujeitos entre homens e mulheres amparadas em outros elementos, como questões raciais, geracionais e de deficiências.

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Também fazendo uma ponte com o conceito de interseccionalidade, a professora insere as primeiras formulações da teoria queer, como a de Gloria Anzaldua, uma das primeiras pesquisadoras a usar o termo queer. Andalzua, como disse a professora, ao referir-se à categoria queer “vai sempre se referir a um imigrante mexicano, de origem indígena, travesti. Ou seja, a forma como chega esse conceito à teoria social norte-americana vem já por esse campo de várias interseccionalidades”. Em contrapartida, a professora Grossi diz que, ao se falar em teoria queer, sempre se pensa na retomada da categoria por autoras dos anos 1990, como Judith Butler e Teresa de Lauretis, quando começa uma onda da chamada branquitude na teoria queer, que passou a ser ligada apenas a uma série de autoras lésbicas brancas.

Já no que diz respeito às contribuições da teoria queer para o debate sobre desigualdades e diversidades, ela diz que a temática das orientações sexuais é sobre o ser diferente e destaca, ainda, a discussão um pouco mais recente sobre a transexualidade, que segundo a professora possui um “potencial de transformação das relações sociais e de pulsão de conflitos no interior das relações de sujeitos muito fortes e muito importantes”.

Quanto à teoria crip, que fala das relações sociais envolvendo pessoas com deficiências, a professora lembrou que todos nós, em algum momento da vida, temos grandes chances de ter alguma deficiência, seja ela congênita ou adquirida e, por isso, deveríamos nos afastar de conceitos capacitistas e nos dedicar mais a pensar o lugar da pessoa com deficiência na sociedade. Em seguida, a professora Miriam Grossi falou sobre a produção científica relacionada a essas minorias sociais que tem crescido muito no Brasil e como isso é importante, em especial num momento político tão conturbado quanto o que vivemos.

A última fala da mesa foi da cientista política, professora e coordenadora da mesa Elisa Reis, cuja apresentação sobre desigualdade de classe foi baseada em seu estudo sobre a percepção que as elites têm da pobreza e desigualdade em dois momentos históricos, sendo estes em 1993 e em 2013. Seu estudo é baseado em pesquisa empírica aplicada a representantes das elites políticas, burocráticas ou tecnocráticas e empresariais.

Para introduzir o estudo, a professora apresentou como a desigualdade deixou de ser algo natural para tornar-se um fenômeno social: “antes dos estados nacionais as pessoas se percebiam como naturalmente diferentes na Europa Ocidental, então um nobre e todos os seus filhos, netos, bisnetos seriam nobres e os plebeus seriam sempre plebeus. As pessoas eram naturalmente desiguais. A grande reviravolta vem quando a ideia de igualdade social toma conta de cultura europeia e se espalha pelo mundo e isso coincide com a formação dos estados nacionais. A grande novidade dos estados nacionais foi exatamente juntar Estado e nacionalidade, porque nação era o que dava às pessoas o sentimento de pertencimento. […] E com isso muitas diferenças foram jogadas pra debaixo do tapete.”

Sobre a separação entre desigualdade e diferença, ela afirmou ser extremamente necessária e a definiu da seguinte forma:

Falando mais especificamente de seu estudo, a professora Elisa Reis disse que a motivação por trás do fator escolhido – a visão das elites sobre os pobres – era descobrir “em que condições pessoas que não são pobres, que não estão lá embaixo na estrutura social podem pactuar pra diminuir a desigualdade, pra combater a pobreza”. Como contexto histórico do estudo no Brasil, ela diz que em 1993 nossa democracia ainda estava fragilizada e em processo de reconstrução, as poucas políticas sociais existentes eram universais; já em 2013 a desigualdade social entra em declínio em um Brasil mais democraticamente estabelecido e com mais espaço para políticas sociais focalizadas. Os resultados específicos de sua pesquisa podem ser analisados em seu artigo Percepções da elite sobre pobreza e desigualdade.  

É interessante ressaltar que boa parte do auditório estava ocupada por mulheres e negros jovens. Um dos poucos homens brancos, o único vestindo terno e gravata, pediu para fazer um comentário ao fim das palestras e ninguém se surpreendeu com o fato de ser um americano, que estava aqui especificamente para a SBPC como membro representante do International Social Science Council. No entanto, num debate voltado para diversidades e desigualdades, não havia a presença de indígenas, pessoas com deficiência ou transexuais – no geral, ninguém se posicionou como membro da comunidade LGBT. Na mesa, apenas mulheres brancas e que certamente não estão abaixo da classe média, falando de desigualdades de raça e classe.

Durante os aproximadamente quarenta minutos de debate foram levantados pontos sensíveis como o afastamento da Universidade em relação ao ensino básico – uma relação que poderia ser mais estimulada, como disse um professor de ensino médio presente na plateia – e como essas desigualdades são naturalizadas ou não na educação das crianças e adolescentes, como destacou uma professora do ensino fundamental. Uma secundarista – essa talvez tenha sido a mesa em que eu mais pude notar a participação de um público não acadêmico – falou sobre como sente que pessoas tendem a jogar a responsabilidade pelas mudanças sociais sobre os jovens, deixando tudo sempre nas mãos de uma geração futura.

Maria G. Lara

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O protagonismo indígena e de outras as minorias

cortadoEstive presente na terça-feira, dia 18, na conferência “O campo artístico cultural indígena: um caráter subjetivo e sagrado em defesa da natureza”, parte da SBPC Afro e Indígena, com a conferencista Alzira Lobo Arruda Campos da UNESP.

A antropóloga Alzira Lobo falou sobre o individualismo e a perda de raízes que vem junto com a pós-modernidade, sobre como o crescimento da economia global desconsidera o trabalho tal qual é feito nas tribos, o trabalho de subsistência que valoriza o sujeito e como isso tem se dado nas relações nas tribos com as quais ela trabalhou.

Alzira Lobo apontou a importância da relação de equilíbrio entre homem e natureza que cria uma consciência de totalidade para os indígenas. Ela contou que, nas tribos onde visitou, se percebe já nas crianças esse respeito pela natureza, pelas águas, ventos e terra, que é um respeito não racionalizado, completamente naturalizado nessas crianças. Além disso, há também uma concepção de xamã, de ligação com o espiritual e com as divindades.

A professora falou ainda sobre a questão do artesanato que é ensinado nas escolas para as crianças indígenas e praticado também como uma forma de sustento da tribo, através da venda desses artesanatos.

O mais interessante, no entanto, foi a discussão que se seguiu após a fala da conferencista, com questões que foram levantadas no momento do debate, algumas delas por indígenas lá presentes. Foi criticado o uso do termo “mentes selvagens” ao se referir aos indígenas, ao que a professora explicou que é um termo da antropologia e tem sim que ser criticado; foi falado sobre  o direito  do povo indígena de estar na universidade ao mesmo tempo que preservando sua individualidade, e a volta desse conhecimento adquirido para as tribos; falou-se da interdisciplinaridade nas escolas indígenas levando-se em consideração também suas especificidades, o ensino do artesanato etc.

O ponto principal, presente em quase todas as falas, foi sobre a falta de autonomia. Percebeu-se uma atmosfera geral do sentimento de falta de protagonismo, que é também um problema geral das minorias. Pode-se perceber a necessidade e vontade de retomada da fala, pois não são os índios falando sobre eles mesmos, mas sempre outra pessoa, branca, de fora da tribo, sem suas vivências e cultura (por mais que seja uma estudiosa ou estudioso delas) que fala por eles. A luta pela retomada do protagonismo, não só pelos indígenas mas por todas as outras minorias, é uma luta essencial no caminho de resistência e no caminho para as mudanças que desejamos em nossa sociedade.

Ligia Matni

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As dificuldades da elaboração e implementação da BNCC

No dia 20 de julho, foi realizada a Sessão Especial “Os desafios da elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”, parte da programação da 69ª Reunião Anual da SBPC. A mesa foi coordenada pelo Professor José Francisco Soares (UFMG) e composta por Joaquim Soares Neto e Francisco César de Sá Barreto.

O professor José Francisco Soares explicou que a discussão da base é uma responsabilidade de todo o Conselho Nacional de Educação e não uma exclusividade da Câmara de Educação Básica. Segundo o ex-presidente do INEP a BNCC “impacta uma série de políticas de ensino superior e em particular da formação de professores”. O professor também chamou atenção para como a discussão “deve impactar a vida de cada um de vocês independente do que fazem”, pois quando se pensa no que as crianças vão aprender, nessa base comum, isso afeta a educação de todos.

Joaquim Soares Neto falou da BNCC pela perspectiva das políticas públicas. Citando a Constituição onde se diz que a educação é um direito dos cidadãos e um dever do Estado, lembrou que este deve fornecer para a população uma educação pautada nos princípios colocados nesta (liberdade de ensino, aprendizado, pesquisa e divulgação; pluralismo de ideias e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; e uma educação de qualidade). Ele coloca os principais desafios da elaboração da base, entre os quais está a implementação. Ele também destaca as grandes diferenças já existentes, como o nível socioeconômico e de infraestrutura. Para ele a BNCC é a grande política pública central que temos que ter para “superar esse estado de coisas porque ela vai trazer junto investimentos pedagógicos, de infraestrutura e de formação de professores”. Outro destaque é a dimensão continental do país e sua diversidade cultural. “O que hoje está bastante consolidado é que o nosso papel é construir uma base e ela vai ser a base que estará em todos os currículos das escolas, mas o currículo vai abrir espaço para essa diversidade cultural” declara. Por fim chamou atenção para a organização federativa, para o pesquisador “a atribuição da educação é dos estados e municípios. Cabe ao MEC, à União, um papel supletivo, mas a responsabilidade da educação é dos estados com a prioridade do ensino médio e dos municípios com a prioridade do ensino fundamental e educação infantil.”

Sá Barreto falou da falta de uma construção de cidadania na educação e da necessidade de um ambiente para que essa construção possa existir no processo educacional. “A constituição fala no preparo para o desenvolvimento da cidadania do ponto de vista da educação e eu me preocupo muito com isso. Eu acho que a educação brasileira pode até ter sucesso, apresentar resultados no específico, mas ela não está conseguindo construir a cidadania, ajudar as pessoas, desde as crianças até os doutores e professores universitários, não há essa noção efetiva operacional da cidadania, e isso é um problema ético muito grave” destaca.

A partir deste pensamento, ele refletiu sobre papel da pesquisa na construção dessa cidadania. “Isso é importante para a cidadania e transmite conhecimentos através dessa natureza. Eu daria então uma ênfase a essa questão da liberdade de ensino, aprendizado, pesquisa e divulgação na implementação, para que quando a base seja implementada ela tenha ênfase no pesquisar” afirmou.

Para os conferencistas lembraram que a educação é uma forma de aprendizado, a aquisição de um conhecimento e a capacidade de uso deste conhecimento. A lei da LDB diz que há algo que nos faz comum mas que também somos específicos, e a educação precisa atender a essas especificidades. É preciso que haja algo que todos nós vamos aprender, este algo em comum, mas as especificidades de região, cultura, etc. não podem ser ignoradas e precisam ser tratadas localmente.

Francisco Soares lembrou o artigo 205 da Constituição fala que a educação tem três finalidades: o pleno desenvolvimento da pessoa humana, a cidadania e o trabalho. Há a garantia de uma educação a todos mas em nível muito geral que não especifica o que é exatamente aquilo que deve ser ensinado, isso é jogado para frente pelo legislador quando se tem no artigo 210 que “serão fixados conteúdos mínimos” mas que nunca são fixados de fato. “Concordar nesse nível de generalidade é muito fácil, concordar no que que cada criança tem que aprender é muito mais difícil”, afirma Francisco.

Ainda de acordo com o professor o currículo é o que vai acontecer na escola e é muito maior que a Base, o currículo vai especificar a parte diversificada e que todos terão que ser contextualizados.

Ligia Matni

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Financiamento e articulação entre entidades é destaque em reunião do FCHSSA

A constante e progressiva redução de verbas destinadas à pesquisa é um dos principais assuntos discutidos nas conferências e reuniões realizadas por entidades e associações de pesquisa durante a 69ª Reunião Anual da SBPC, em Belo Horizonte. Isso não é diferente com as humanidades. Durante a reunião do Fórum de Ciência Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas realizada na UFMG na ultima terça-feira, dia 18, representantes das associações e sociedades que compõem o grupo lembraram que o financiamento de pesquisa já era baixo antes dos cortes e piorara no último ano.

O professor Carlos Henrique de Carvalho, da Universidade Federal de Uberlândia, destacou que este também é o momento de pensar as regras e meios de financiamento. O pesquisador lembrou que atualmente institutos inteiros estão com suas atividades em risco por não ter verba sequer para a manutenção de equipamentos e que boa parte do financiamento é direcionado aos pesquisadores, inviabilizando projetos maiores de parcerias. “O quadro da crise é tão grave que nós estamos nos apegando ao que sempre tivemos: financiamentos individuais. Precisamos mudar esta lógica. Podemos trabalhar de maneira mais articulada”, declarou o pesquisador.

Membros do Fórum CHSSA discutem demandas da área.
Membros do Fórum CHSSA discutem demandas da área. Foto: Ligia Matini

A articulação da pesquisa discutida pelo Fórum vai além das propostas de financiamento. Para os pesquisadores, é cada vez mais importante articular as associações ligadas às ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas para apresentar suas demandas às entidades de regulamentação e financiamento, como o MCTIC, o CNPq e a CAPES. Para tanto o encontro contou com a presença do coordenador de CHSA no MCTIC, Flavio Fonte-Boa, e da coordenadora da comissão do Fórum, Fernanda Sobral, que tiveram a chance de discutir o documento construído coletivamente para definir as linhas de ação para as CHSSA no plano de ação do MCITC2018/2022. O coordenador do Fórum, professor Luciano Mendes de Faria Filho, destacou que o grupo deseja uma “presença das CHSSA no CNPq, na CAPES e no MCTIC em diálogo e parceria com o Fórum”.

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Inclusão é tema de conferência na SBPC

“Não existem alunos diferentes. Somos todos diferentes”. Foi com essa premissa que a professora Maria Teresa Mantoan (UNICAMP) abriu a conferência intitulada Educação Inclusiva, no dia 19 de julho, na 69ª Reunião Anual da SBPC, na UFMG. O evento foi mediado pela professora Roseli de Deus Lopes (USP) e contou também com a participação da advogada e militante do Movimento Down, Maria Antonia Goulart e da jornalista Anna Penido, do Instituto Inspirare. A conferência, que foi transmitida em libras e com audiodescrição, contou com a presença da secretária estadual de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo e do senador Lindemberg Farias (PT).

A professora Teresa Mantoan afirmou que o sistema educacional e os educadores, de maneira geral, ainda estão apegados à noção platônica de um aluno idealizado. “Temos que trabalhar com o aluno real. Ele é “aluno”, não é “’o’ aluno”, afirmou. E completou: “a diferença nos constitui, nossa identidade é inacabada, está sempre por se fazer”. A docente do programa de pós-graduação em Educação da UNICAMP, que é uma das maiores especialistas brasileiras em Inclusão e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (LEPED), explicou que “a escola boa é a escola para todos”. Ela defendeu que, por sermos todos singulares e, portanto, diferentes, não cabe usar o termo ‘especial’ para se referir àqueles que apresentam algum tipo de dificuldade escolar, nem tampouco propor atividades específicas ou facilitadas. “Esse é um problema muito sério: diferenciar para excluir. Toda vez que limitamos o direito de participação e de expressão do aluno, estamos excluindo, mesmo que seja com a melhor intenção”, concluiu Mantoan.

Professora Teresa Mantoan
Professora Teresa Mantoan fala sobre a importância de não diferenciar os alunos. Foto: Mauro Lucio

Segundo a professora, são inclusivas “as escolas cujas atividades são organizadas para toda a turma, sem adaptações de qualquer natureza, sem individualizações.” A inclusão não se dá no ensino, mas na aceitação e o reconhecimento, por parte da comunidade escolar, das respostas diferentes dos alunos ao processo ensino-aprendizagem “quanto mais for diferente a resposta do aluno, mais rico o ambiente escolar se tornará”.

A advogada e especialista em educação integral Maria Antonia Goulart, criadora do Movimento Down e mãe de uma menina Down de 5 anos, fez um depoimento sobre as dificuldades vividas pelos pais, desde os empecilhos para encontrar uma vaga para os filhos em escolas regulares até a padronização das metodologias e avaliações escolares. “O Movimento Down recebe mensagens de pais todos os dias, mas na época de matrícula esse contato se intensifica. Alguns pais chegam a visitar 30 escolas até matricular o filho” contou a advogada. Segundo Antonia Goulart, as escolas não podem, por lei, se negar a aceitar a criança, mas se dizem ‘despreparadas’ para a inclusão, desanimando os pais. Ela propõe, em contrapartida, a adoção do Desenho Universal da Aprendizagem, uma metodologia que contempla formas diversas de apresentação do conteúdo, bem como diferentes modos de avaliação escolar.

Ao fechar a mesa de conferência, a jornalista Anna Penido, do Instituto Inspirare defendeu a educação integral. “Todo aluno é único, mas muitas vezes o professor nem sabe o nome dele” declara Anna. O instituto no qual atua estuda metodologias inovadoras para o ensino básico.

Claudia Chaves Fonseca

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Por mais investimento em CTI, diversas entidades científicas se reúnem em Belo Horizonte

A campanha Conhecimento sem cortes realizou durante a 69ª Reunião Anual da SBPC o encontro “As universidades e os professores diante da crise brasileira”. O encontro reuniu diversas entidades defensoras da CT&I para discutir estratégias de pressão sobre os financiadores e explicitar a insatisfação desse grupo com os progressivos cortes no financiamento de pesquisa. Dentre os presentes, o reitor da UFMG Jaime Arturo Ramirez lembrou que atualmente o orçamento de CTI é o pior desde 2013 e que a melhor forma de sair da crise é investindo em C&T. Confira tudo que aconteceu na reunião:

O professor Clélio Campolina (UFMG), presente no encontro comentou sobre os impactos da fusão dos ministérios de Ciência, Tecnologia e Inovação e das Comunicações no cenário de corte de investimentos em CTI no Brasil.

 

Tamara Naiz, presidente da Associação Nacional de Pós Graduandos, também avalia os impactos dos cortes de gastos para a produção científica.

 

 

Maria Gabriela Lara

SBPC 2017

“O fazer ciência em 10 palavras” ou “de onde vem, mesmo, o conhecimento?”

Inspirado na canção Ilmo Sr. Ciro Monteiro Ou Receita Pra Virar Casaca de Neném,  de Chico Buarque, o prof Aldo Zarbin, presidente da Sociedade Brasileira de Química  sintetiza em 10 palavras o fazer ciência. Essa foi o tema da conferência realizada pelo professor na última terça, feira, dia 18, durante a 69ª Reunião anual da SBPC. Mesmo usando a química como exemplo, o professor chama atenção para as inúmeras facetas de fazer e falar de ciência. O professor ressalta os aspectos subjetivos, morais e políticos inerentes à prática científica.

Partindo da Criatividade e Inspiração, o professor explica como a química, uma das várias ciências, está presente na arte, seja na criação de novos pigmentos, nos produtos usados para restauração e identificação, ou na criação de novos materiais. O professor também destaca a sagacidade como elemento indispensável para o pesquisador. “O ‘por acaso’ só ocorre porque existe uma mente sagaz por perto” disse Aldo. Alguns dos exemplos são o descoberta do Raio X e da penicilina, resultados não esperados pelos pesquisadores, mas que o físico alemão Conrad Roentgen, e o médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming tiveram a sagacidade e perspicácia de perceber o valor da descoberta. O professor também destacou a Determinação e a Sabedoria, para saber quando insistir e quando parar. “É preciso ter discernimento entre teimosia e objetivo” afirmou. O professor parafraseia Jean Cocteau “Mesmo sabendo que era impossível, foi lá e fez”.

Para além das características individuais e subjetivas do pesquisador, o professor observa a Simplicidade  no fazer e no agir científico, o que de acordo com Zarbin levam a humildade. O professor Aldo Zarbin tem a ética como um dos principais valores, e contou como a vaidade, a ganância e muitos vezes a ignorância, podem destruir a vida de um cientista.

Outra palavra elencada pelo professor como importante é Oportunidade. Para ele investimento em ciência e tecnologia, é investimento para o país crescer(…) Qualquer governo que quer ver o país crescer faz isso”. Aldo comentou sobre os cortes feitos no orçamento para C&T e da dificuldade em se fazer ciência sem financiamento.“Estamos vivendo, talvez, um dos momentos mais difíceis para a ciência brasileira” declarou. Além disso, precisamos também de representatividade. As sociedades científicas, nos garantem hoje a voz para lutar pelos nossos direitos, o que não conseguiríamos sozinhos.

A última palavra destacada pelo pesquisador foi Paixão(ou diversão?). Isso não pode faltar na fala de uma pessoa tão apaixonada pela ciência como ele. “A ciência é uma parceira exigente. Sem paixão você não faz ciência” declarou. o professor Aldo Zarbin ainda nos lembra que todos nós nascemos cientistas, mas a educação científica engessada do país, dificulta a nossa formação, criando, às vezes, aversão pela ciência.

 

Thacyane Martinelli

SBPC 2017

Os desafios e caminhos da Divulgação Científica

A pesquisadora e jornalista Vanessa Fagundes coordenou durante a 69ª Reunião Anual da SBPC a mesa redonda “Novos Caminhos para a Divulgação Científica”. A Atividade contou com a presença de Ennio Candotti (MUSA) e Natalia Pasternak Tachner (USP) que falaram se suas experiências de Divulgação Científica.

 

 

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(In)justiça escolar no Brasil

Durante a programação da 69ª Reunião Anual da SBPC a Professora Ione Ribeiro Valle da UFSC realizou a conferência “(IN)JUSTIÇA ESCOLAR NO BRASIL”. A pesquisadora destacou que o desafio que se coloca para os pesquisadores é desvelar todas as diversas injustiças presentes nas escolas e ambientes que às circundam.
Confira: